quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Alheio

E todo esforço que faço para adormecer
É pra ver se morro um pouco mais sem dor.
Olhos abertos coração acordado, adormecendo é só pra sonhar.
Pesadelo esse momento, pouco tempo de respiração, esquecendo do que preciso e só pensando na aflição.
Pulmões pra que? Pra que braços e pernas? Rostos e sorrisos? Todo ar que existe é pouco pra me convencer, todo ar que sinto, não sinto. Braços e pernas? Não chamo! Não aceno, não corro, não chuto! Só mente e coração somente! Às vezes é preciso lembrar que existir é para poucos, lembrar que quem precisa existir é quem sabe que você existe também.
Rostos e sorrisos? Sou alheia a isso.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Sem Nome

Sentir sua falta como pode ser?
Você nunca esteve aqui.
O que me dói é pensar que eu nunca vou sentir,
Que você nunca vai estar.
Falta-me capacidade pra entender, faltam-me palavras pra descrever.
Quanto mais escrevo, muito mais me perco.
E o que eu sinto continua sem nome, e mesmo sem nome não se faz indigente.
Muito mais presente, do que qualquer palavra nomeada,
É pior que a faca antiga e sem cabo que insiste em ser amolada.

Mudança de tempos

Eu queria te ver mais não posso, não posso minha menina! Queima minha retina, só de pensar em ti ver queima minha menina.
Me queima o coração também saber que digo não.
Arde meu juízo, mais eu preciso te evitar, é como um dependente tentando se curar.
Não me fale em nós como se tudo fosse possível ainda, não fale em nós, isso nunca existiu, minha menina.
Minha menina queima! E por isso nem chora, a lágrima de tão quente evapora.
Formam nuvens e nuvens dentro de mim, sentimentos, chuvas que ainda virão na previsão do tempo.
O tempo é longo, é vago, e muda sempre minha menina...
Um dia quem sabe eu diga sim, um dia quem sabe eu te tenha pra mim, e mesmo que isso não aconteça, no mais cruel dos destinos, um dia quem sabe tudo se esqueça.

(I)Racional

De que maneira poderia ser
Para que tudo fosse mais fácil?
Nem que eu pudesse prever,
Não seria mais fácil.
Prever não é evitar,
É apenas saber o que vai te acontecer,
E quem disse que se pode evitar?
Não se pode.
E pra se “deixar levar” tem que se sentir menos?
De que vale ser humano se agimos como animais?
E não sendo animal? Se sente quase tudo, se sabe quase nada!
Pagamos pela benção (in)desejada de ser gente!
Ser irracional talvez seja mais sábio!
Mas não se pode mudar de ser
Assim como não se pode prever.
Então aceita tua crença!
Seja animal ou racional!
Receba tua benção e tua doença.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

"Não digo nada
Não preciso dizer nada.
Não digas nada
Não precisas dizer.
Não te peço nada, nem vou pedir!
Me faça tudo, e faça tudo que quiser!
Se faça pra você, não é pra ninguém, muito menos pra mim.
Seja apenas gentil, e tenha sua educação,
Mas não me venha com palavras muito doces,
Não pretendo ter diabetes.
Siga seu caminho, não corra na contramão,
Você pode tropeçar ao pular o muro,
E cair de cara no chão!
E depois de caído, ferido, não me venha com palavras doces!
Já disse não pretendo ter diabetes.
Eu não to aqui pra te ajudar, mais eu te ajudo quando achar preciso!
Mais só não me venha com palavras doces!
Já conheço muito bem teu mel e teu ferrão...
Não vale a pena não... Mata, arde, dói, machuca!
É muito dor, pra pouca açúcar."

Minha Poesia

És minha inspiração
Só tu e mais ninguém,
Momento de ilusão
Eterno enquanto dura.
O enquanto mais eterno.
A ternura mais profunda dos meus dias,
Os meus dias mais frios me esquentando o sangue.
És minha jura eterna, de que o eterno jamais existiu,
E mesmo não existindo acredita-se sempre nele.
Meu choro sem lagrimas pra cair,
Meu esgoto e meu céu é isso aqui,
Meu esgoto é pensar e sentir tudo isso
Meu céu é poder escrever...
Minha poesia é minha água salobra que não se limita a brotar dos olhos.

Metade

Vixe, vixe! Sai de mim, sai daqui!
É assim, tenho que dizer!
Não dá mais pra ser,
Assim, Desse jeito, eu e você...
Melhor não ser mais assim,
Melhor não ser mais!
Nessa nossa tão grande distância,
Quero você.
Quero você mais longe!
Longe da minha saudade,
Longe dessa insanidade que sou eu,
Longe inteira, de mim que sou metade.
Nunca fui inteira, sempre me faltou esse pedaço,
Pedaço, metade, maior parte, eu sei!
Leia isso só pra saber,
Que essa parte nunca vai ser você!
O que você fez foi levar mais um pedaço de mim,
Não me deixou nada, nada que fosse seu.
Não me deixou nem um adeus,
Esse também eu não iria guardar,
Por isso leve tudo de uma vez,
Leve tudo que for seu.
Leve ate esse pedaço de mim,
Não é mais meu.