terça-feira, 8 de julho de 2008

Parto

Cada dor forte que me faz sentir dentro do peito

Faz-me, sem querer talvez, mas faz muito bem feito.

É um serviço completo, parece-me que tens uma grande formação,

Tens mestrado e doutorado sabe muito bem como deixar dilacerado um coração.

Cada dor forte que me fazer sentir o peito tão alado

Faz-me assim do nada, de repente fico desorientado.

Quando noto já estou aqui, quieto, carente e me sentindo um condenado.

É forte demais sentir esse teu veneno...

Fico perturbado, escrevendo

Essa dor, essa agonia

Como uma dor do parto só que mais pra cima da barriga

E assim dou a luz a mais uma Poesia.

Sentimento (Sentir)

Se eu pudesse e soubesse descrever o que sinto

Nem mesmo assim o faria.

Se eu pudesse não sentir o que sinto

Tivesse essa opção, nem mesmo assim omitiria meu coração.

Coração não tem opção sente sem escolher o que...

Quem o tem não o tem, nunca o tem.

Quem não o tem o detém. Quem não o tem?

Às vezes o que se sente por dentro

Dói mais do que carne viva ao vento

E se pudéssemos por um minuto apenas deixar de sentir...

Por um minuto deixaríamos de existir.

Às vezes o que se sente é tão resplandecente

Que se quer sentir para todo o sempre

Aquilo que por minuto se sentiu.

Mas é impossível sentir o mesmo para sempre

O que podemos é lembrar aquele momento eternamente.

Pois é impossível senti-lo igual, o MESMO não é eterno...

O que se sente muda toda hora, se transforma,

Cresce ou diminui, nasce ou morre e nos evolui.

O que não morre é o sentimento em si

Aquele que nem no meu mais longo raciocínio descrevi.

domingo, 6 de julho de 2008

De Lírio

É Perfume de coisa nenhuma

É o sabor do desconhecido.

Coisa nenhuma que eu senti

Coisa alguma se compara.

Do meio do jardim de todas as flores

Teu cheiro é o perfume que me agrada.

No suave tocar de tantos tatos

Só teu espinho me tem espetado.

Não posso evitar comparar-te mesmo que não sejas

Há tais belezas e tais perfumes mesmo que não sejas de veras...

E eu sei que não és tão rosa ou tão flor, tanto cheiro ou tanta cor...

Mas tens o espinho incolor que fere a alma e faz-me sentir em carne viva aquela dor

Possuis o sumo do veneno do delírio és de fato o Lírio que me faz sentir mais amor.

sábado, 5 de julho de 2008

Ontem foi dilúvio

Ontem foi dilúvio

E tudo lá fora umedeceu.

A cidade se agitou

Tudo lá fora naufragou

Muita gente se afogou

Tanta coisa se achou

Tanta coisa se perdeu.

Ontem lá fora foi dilúvio

Gotas que batem na telha

Idéias na minha cabeça.

Lá fora tudo escureceu.

Água sobe e desce

E o dilúvio na cidade cresce.

Lá fora toda catástrofe aconteceu

Aqui dentro tudo igual

Sempre foi temporal.

Cortinas

Queria ter realmente as chaves da minha vida

Não adianta nada só saber o que me guia

Saber não muda o que sinto e o que eu não queria sentir

Porque são as mesmas coisas...

Eu sei que no fundo e não é tão no fundo assim...

Eu ainda, ainda te amo.

E das janelas que se abrem na minha vida

Nenhuma a luz atravessou muito além das cortinas.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Ilhada

Eu não posso mais te dizer onde estou

Pois já não me bastas mais

E eu também já não sei onde estás.

Quem sabe na verdade nunca me bastastes

E eu apenas estava perdida, na ilusão de uma ilha

Era só a ilusão de alguém ilhada...

E como eu poderia te encontrar se nem a mim encontrava?

Eu era apenas alguém com a alma ilhada,

Ilhada de ilusões.

Rédeas

Mais que nada.

Mais que tudo.

Copo meio cheio.

Copo meio vazio.

Falta metade de mim.

Estou metade completa.

É tudo questão de atitude e ponto de vista.

Ser o homem na carroça levada pelos bois ou os bois carregando a carroça?

Não importa, qualquer que seja, seja o que realmente guia.

Às vezes o homem na carroça na verdade é um burro.

Às vezes são os bois que guiam.

Às vezes não há boi, só uma carroça solta e uma estrada com várias subidas decidas e retas.

O que fazer?

Tome as rédeas.